Os ponteiros não se mexem, mas as pessoas movimentam-se, as
coisas acontecem e o tempo passa, mas então porquê que o meu relógio não
trabalha? Decidi sentar-me e analisar a situação. Cheguei à conclusão de que eles estavam a funcionar.
No meu pensamento é que não, estou aprisionada no passado, nas horas, nos minutos
e nos segundos do passado. Simplesmente parece que não quero viver o presente,
aproveitar tudo de bom que ele tem para me proporcionar. Ou talvez não quisesse
viver o presente. Existem pessoas e pessoas, momentos e momentos, houve uma
pessoa que me fascinou, e que hoje numa amiga se tornou. É simples, querida e
sincera, é alguém que apesar das poucas horas, poucos minutos, poucos segundos
a conviver com ela, já se tornou importante, já se tornou numa pessoa que me
faz acreditar. Fez com que os meus ponteiros voltassem a funcionar. É só uma
amiga, mas quem sabe se um dia não será uma grande amiga.
Parcialmente tudo
está bem, sou normal, sou quieta, sou meiga, mas literalmente não é bem assim,
dentro de mim existe uma revolta contra o passado, que se aprisiona somente nesse
relógio que não funciona e que eu não consigo arrancar do pulso. É como se
fosse algo colado com cola super 3, algo que estivesse ali e não fosse para
sair, assim como a Lua e o Sol que estão no céu, sempre, mas às vezes não os
vemos porque não queremos, não que eles não estejam lá, mas porque não queremos,
ou simplesmente não conseguimos mesmo vê-los. Isso acontece com os amigos, por
vezes dizemos estar sozinhos, na verdade não, os verdadeiros amigos estão
sempre aqui, apenas não estão da forma que queríamos, mas sim da forma que
precisamos que eles estejam!
Nós nunca perdemos amigo, apenas descobrimos quem são os
verdadeiros =’)



